Exposição “Na Passagem da Corda”, 1999 – Coletiva Anual da Associação dos Artistas Plásticos do Pará

coracao armandoEm 1999 a Associação dos Artistas Plásticos do Pará montou uma exposição coletiva temática sobre o Círio de Nazaré, nomes como Armando Queiroz, Emanuel Franco, Maria Christina, Nina Matos, Octávio Cardoso, entre outros. A exposição aconteceu no Museu de Arte de Belém, com apoio da Prefeitura de Belém, e foi um desdobramento do II Encontro dos Artistas Plásticos do Pará. [imagem: Coração, de Armando Queiroz]

Exposição “O retrato que há em mim” – Onze Janelas

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A produção em artes visuais dos alunos da Apae de Belém se constitui de vivências, que buscam: a percepção de elementos formais das artes, a familiaridade com materiais artísticos, o estímulo à percepção e reflexão de subjetividades contidas em obras de arte, a oportunidade de acesso a conteúdos culturais, construção de diálogos e visitas à exposições e espaços culturais, experiência notadamente enriquecedora.

Costumo dizer que toda deficiência dos meus alunos desaparece e nos tornamos semelhantes quando percebo as minhas próprias deficiências. É quando passamos a falar a mesma língua, de igual para igual. Nesse momento, em que me deparo com a dificuldade de ser compreendida por eles, entendo que a deficiência é minha e visto a pele do outro, pois que conheço as minhas dificuldades, bem como as potencialidades, como eles também conhecem as deles. E então, nos entendemos e toda ação se torna possível.

Foi no exercício de olhar o “outro-artista” que iniciamos nosso percurso neste trabalho. Tentando com que essa experiência os conduzisse para a percepção do próprio “eu” e que pudessem se projetar, eles mesmos, na ideia de se autorrepresentar – diferentes e únicos nas características individuais e semelhantes na capacidade de se reconhecer e de encontrar, através da janela do espelho, os seus próprios retratos.

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Partimos do referencial concreto, utilizando autorretratos de artistas conhecidos, possibilitando releituras, fruição, diálogos e formação de opinião. Nesse processo, surgem identidades, constrói-se conhecimento e revelam-se juízos de gosto, arcabouços do “existir”. A mágica se dá quando eles se descolam do referencial imagético que lhes foi oferecido, tomando suas próprias decisões, anunciando que toda a deficiência, a minha e a deles, foi superada e que uma conexão foi estabelecida. Desenharam-se, pintaram-se e se representaram com a liberdade de ser: eles próprios em sua subjetividade, sendo nuvem, como no poema de Mário Quintana, cores e sonhos… Nuances subjetivas presentes em cada autorretrato desta mostra.
Nesta exposição apresentamos a expressividade de cada um, o desejo e o orgulho com que essas pessoas se colocam e se sentem participativas de um processo em que estão verdadeiramente incluídas e envolvidas, que revela as individualidades e sentimentos de quem não vive em um mundo paralelo, mas no mesmo mundo a que todos fazemos parte. Talvez o que seja excepcional nesta experiência, seja apenas a rara oportunidade, em que podemos trazer ao público os resultados tão cheios de emoção, e, particularmente para nós que os acompanhamos nesse exercício de criação e superação.

Silvana Saldanha
Professora de Artes Visuais da Apae de Belém.

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Exposição “Somos Muitos” de Luciana Mena Barreto e Marcelo Gobatto – Sala Augusto Fidanza/MAS

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A exposição SOMOS MUITOS, de Luciana Mena Barreto e Marcelo Gobatto, aborda os múltiplos papéis individuais e coletivos que expressam os enfrentamentos diários no jogo social, inspirando as séries de fotografias, vídeos e instalações.

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Na obra de Marcelo Gobatto a alteridade se apresenta a partir da investigação sobre o tempo, que se inicia no ano 2000 quando realizou a instalação “Já não há mais tempo”. Em “Incompossibilidades” (vídeo, 2002-2012), problematiza a experiência do tempo e o movimento, a partir da performance. O vídeo “Dia” (2012) tem como mote o cotidiano e é montado com procedimentos característicos da edição fotográfica tradicional. De sua produção recente apresenta a série de fotografias “Identicus” (2011-2012), realizada com a apropriação de mug shots (retratos usados para identificação policial desde o século XIX – geralmente feitos de frente e perfil) encontrados na web. “Marcello” (2012) é um tríptico fotográfico que mistura autorretratos e imagens que remetem ao álbum de família e stills do cinema. Já em “Caminho de Dante” (2012), dialoga com o neo-pictorialismo de maneira bem humorada.

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A produção fotográfica da artista Luciana Mena Barreto está centrada nas possibilidades expressivas do retrato e autorretrato, fixando-se na problemática da identidade e da alteridade. Ela acredita que o rosto particulariza o sujeito na fotografia, então vai no caminho inverso ao retratar seu corpo acéfalo para situá-lo no território da indefiniçãoNa série “Acéfalos” (2010-2011), composta pelas obras “Anima”, “Animus”, “Sem Título” e “Personas”, a artista apresenta autorreferências em situações-limite e ao mesmo tempo cotidianas. “Branco” (2010) dialoga com a fotografia surrealista e a questão do disforme. No trípitico “Tijolo” (2010) o retrato que se crê revelar a identidade única do sujeito é desconstruído tanto quanto no díptico “Sofisma” (2012), onde seu rosto também é borrado tornando a fotografia indiscernível como tal.

A exposição revela o quanto somos indivíduos em constante mutação. Nossas identidades são cambiantes, se formam e se transformam diariamente, sempre em processo de subjetivação assumidas como máscaras que se definem nas nossas muitas relações com o outro – os pais, filhos, amigos, companheiros, amantes ou desconhecidos.

Fonte: Site do Projeto

Projeto selecionado pelo Edital de Pautas do SIM/SECULT