Exposição “O retrato que há em mim” – Onze Janelas

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A produção em artes visuais dos alunos da Apae de Belém se constitui de vivências, que buscam: a percepção de elementos formais das artes, a familiaridade com materiais artísticos, o estímulo à percepção e reflexão de subjetividades contidas em obras de arte, a oportunidade de acesso a conteúdos culturais, construção de diálogos e visitas à exposições e espaços culturais, experiência notadamente enriquecedora.

Costumo dizer que toda deficiência dos meus alunos desaparece e nos tornamos semelhantes quando percebo as minhas próprias deficiências. É quando passamos a falar a mesma língua, de igual para igual. Nesse momento, em que me deparo com a dificuldade de ser compreendida por eles, entendo que a deficiência é minha e visto a pele do outro, pois que conheço as minhas dificuldades, bem como as potencialidades, como eles também conhecem as deles. E então, nos entendemos e toda ação se torna possível.

Foi no exercício de olhar o “outro-artista” que iniciamos nosso percurso neste trabalho. Tentando com que essa experiência os conduzisse para a percepção do próprio “eu” e que pudessem se projetar, eles mesmos, na ideia de se autorrepresentar – diferentes e únicos nas características individuais e semelhantes na capacidade de se reconhecer e de encontrar, através da janela do espelho, os seus próprios retratos.

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Partimos do referencial concreto, utilizando autorretratos de artistas conhecidos, possibilitando releituras, fruição, diálogos e formação de opinião. Nesse processo, surgem identidades, constrói-se conhecimento e revelam-se juízos de gosto, arcabouços do “existir”. A mágica se dá quando eles se descolam do referencial imagético que lhes foi oferecido, tomando suas próprias decisões, anunciando que toda a deficiência, a minha e a deles, foi superada e que uma conexão foi estabelecida. Desenharam-se, pintaram-se e se representaram com a liberdade de ser: eles próprios em sua subjetividade, sendo nuvem, como no poema de Mário Quintana, cores e sonhos… Nuances subjetivas presentes em cada autorretrato desta mostra.
Nesta exposição apresentamos a expressividade de cada um, o desejo e o orgulho com que essas pessoas se colocam e se sentem participativas de um processo em que estão verdadeiramente incluídas e envolvidas, que revela as individualidades e sentimentos de quem não vive em um mundo paralelo, mas no mesmo mundo a que todos fazemos parte. Talvez o que seja excepcional nesta experiência, seja apenas a rara oportunidade, em que podemos trazer ao público os resultados tão cheios de emoção, e, particularmente para nós que os acompanhamos nesse exercício de criação e superação.

Silvana Saldanha
Professora de Artes Visuais da Apae de Belém.

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Exposição “Buena Memoria” do fotógrafo argentino Marcelo Brodsky, Laboratório das Artes/ Onze Janelas

A exposição Buena Memoria do fotógrafo argentino Marcelo Brodsky é formada por fotografias, instalação e vídeo. Trata-se de um ensaio fotográfico realizado a partir de uma fotografia tirada em 1967 dos colegas de classe do Colégio Nacional de Buenos Aires. O fotógrafo realiza uma intervenção na imagem e desenvolve um trabalho revelador da ausência do irmão, do melhor amigo, daqueles que desapareceram nos duros anos da ditadura argentina. Brodsky apresenta com sensibilidade um conjunto de imagens que se transforma em um diálogo doloroso e poético entre passado e presente.
Exposição: BUENA MEMORIA
Fotógrafo:  Marcelo Brodsky
Dia: 09 de outubro de 2012
Local: Espaço Cultural Casa das Onze Janelas – Pça Frei Caetano Brandão s/nº,  Sala Valdir Sarubbi
Horário: 19h
CAFÉ FOTOGRÁFICO
BUENA MEMORIA: um encontro com Marcelo Brodsky
Parceria entre FotoAtiva e Espaço Cultural Casa das Onze Janelas
Um bate papo com Brodsky
Dia: 10 de outubro de 2012
Local: IAP – Praça Justo Chermont 236, Nazeré
Horário: 19h
Entrevista com o fotógrafo Marcelo Brodsky no Fórum de Fotografia: