Lúcia Gomes, 20 anos de Arte e Ativismo

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O Instituto de Artes do Pará receberá, de 11 a 14 de fevereiro, a exposição da paraense Lucia Gomes, chamada ARARA ARERE ARIRI Direitos Humanos ARORO ARURU – 50 anos de repúdio ao Golpe Militar – 20 anos Lucia Gomes – Salve a Justiça – Punição aos torturadores! Haverá mostra de obras da artista e realização de ações por parte da mesma e de outros participadores. A noção de liberdade (e seus paradoxos) e o respeito à vida e à justiça norteiam a produção exposta e as práticas de Lucia Gomes.

Inevitável para a artista, em sua militância humanista, o confronto com questões políticas e sociais de nosso tempo. Em duas décadas de uma produção complexa e ininterrupta, não foram poucas as vezes em que Lucia Gomes tocou assuntos que passam pela violação de direitos humanos, como as torturas no regime militar brasileiro. Sua mostra vem somar forças às manifestações decorrentes dos 50 anos de Golpe Militar no Brasil, buscando evidenciar tais memórias, ainda muito dolorosas.

Nascida em Belém do Pará em 1966, Lucia Gomes é uma artista irrequieta, e corrobora a ideia de que por meio da arte se modifica a maneira de pensar, agir, ver e sentir o entorno e o mundo. Além de exposições individuais e participação em coletivas em várias cidades e países, a artista possui uma vasta prática de ações artísticas e espaços públicos, e mesmo no espaço virtual. Desde 2007 radicou-se na Suíça, de onde instiga, provoca e mantém vínculos constantes com os seus, que ficaram do outro lado do Atlântico.

Na programação, além da mostra artística e das ações a realizar, haverá Mesas para discussão de temas que perpassam a exposição, como educação, direitos humanos, política e, é claro, criação artística. Entre os convidados estão nomes como Marisa Mokarzel, Paulo Fonteles Filho, Orlando Maneschy e Tadeu Lobato, além da participação de Lucia Gomes com relatos em todas as Mesas.

ARARA ARERE ARIRI Direitos Humanos ARORO ARURU – 50 anos de repúdio ao Golpe Militar – 20 anos Lucia Gomes – Salve a Justiça – Punição aos torturadores!

Local: Instituto de Artes do Pará

Período de visitação: de 11 a 14/02/2014

Curadoria: Gil Vieira Costa

Produção: Xumucuís

Coordenação da Ação Educativa: Mário Jardim

Chefe de Cerimônia/Ritual: Romário Alves

MESAS DE CONVERSA

Local: Auditório do Instituto de Artes do Pará

Hora: 19h às 21h

Mesa I

Data: 11/02

Convidados: Marisa Mokarzel, Tadeu Lobato e Vânia Leal

Mediação: Maria Christina

Mesa II

Data: 12/02

Convidados: Ednaldo Britto, Orlando Maneschy e Paulo Fonteles Filho

Mediação: Werne Oliveira

Mesa III

Data: 13/02

Convidados: Giza Bandeira, João Cirilo e Sissa de Assis

Mediação: Ramiro Quaresma

Mesa IV

Data: 14/02

Convidados: Arthur Leandro, Gil Vieira Costa e Jaqueline Souza

Mediação: Cledyr Pinheiro

COBERTURA

DIA 01 – 11/04/2014

Registro do mapping do VJ Rodrigo Sabbá no anfiteatro do IAP

Mapping – VJ Rodrigo Sabbá // Lucia Gomes 20 anos from ramiro quaresma on Vimeo.

Exposição “Na Passagem da Corda”, 1999 – Coletiva Anual da Associação dos Artistas Plásticos do Pará

coracao armandoEm 1999 a Associação dos Artistas Plásticos do Pará montou uma exposição coletiva temática sobre o Círio de Nazaré, nomes como Armando Queiroz, Emanuel Franco, Maria Christina, Nina Matos, Octávio Cardoso, entre outros. A exposição aconteceu no Museu de Arte de Belém, com apoio da Prefeitura de Belém, e foi um desdobramento do II Encontro dos Artistas Plásticos do Pará. [imagem: Coração, de Armando Queiroz]

Obra em Questão // “Ressignificações Tridimensionais de Símbolos do Sairé – Esculturas Efêmeras na Vila de Alter do Chão” de Egon Pacheco

Depois de ler o texto do Gil Vieira sobra as esculturas de Egon Pacheco na Gotaz #3 lembrei de uma postagem que não fiz, acredito que seja um bom momento de falar desse trabalho do artista santareno.  “Ressignificações Tridimensionais de Símbolos do Sairé – Esculturas Efêmeras na Vila de Alter do Chã”, projeto contemplado com a Bolsa de Pesquisa do IAP, foi realizado na Vila Balneária de Alter do Chão distrito da cidade de Santarém-PA. Uma série de intervenções que une as pontas do folclore com a arte contemporânea.

 

Sobre as intervenções:

1- M.P.G. Kuarup In Memoriam (obra do Cemitério)
Escultura/Performance referenciada na obra de Pinto Guimarães e no ritual indígena de culto aos mortos. A obra consistiu na colocação de 513 cilindros de diversos tamanhos pintados à mão pelo artista, na área interna do cemitério de Alter do Chão, onde encontram-se os restos mortais de antigos Mestres e Mestras do Sairé como o senhor Argentino Sardinha e a senhora Terezinha Lobato (que retomaram o Sairé em 1973), e a Sra. Dinair que foi juíza do Sairé até os seus últimos anos de vida, conduzindo a Coroa do Divino Espírito Santo nas procissões e rituais mesmo estando debilitada em um cadeira de rodas. Durante os três dias de intervenção, o artista e outros membros da vila retiraram os cilindros da “área expositiva” e os distribuíram nos sepulcros até que não restasse mais nenhum. Esta ação traz o sentido de vida e de morte, pois a escultura, assim como as pessoas, desapareceu dando lugar à memória.

2- “Florõespíritos” (obra do terreno cheio de destroços)

Obra que também aborda o tema da morte, dessa vez a morte da cultura. Nove esculturas de tecido colorido “ornamentam” um cenário desolador onde se encontram os escombros do antigo Museu do Índio de Alter do Chão. O desafio desta obra foi dissertar sobre a tristeza através da alegria, para tanto, o artista inseriu na estrutura esvoaçante de cada escultura laços de fita de cetim preto que além de promoverem uma quebra do ritmo colorido das obras, trazem o sentido do pesar e do luto. Não se trata de protesto e sim de uma lamentação advinda da tentativa de insuflar cores e vida ao que já não mais vive.

3 – “Árvore da Vida” (escultura no terreno descampado)

Os mastros do Sairé são ornados com muitas frutas e bebidas a fim de renderem graças pela fartura da natureza, esta obra aponta exatamente o oposto, aqui o sentido de escassez é reforçado pelo círculo de carvão. O conflito homem versus natureza torna-se ainda mais dramático pela sonorização emitida pelo corpo escultórico, ela confere o sentido geral de sua visualidade. Sons de pássaros cantando e silenciados pelo fogo crepitando no mato, motosserras inflamadas aterrorizando os ares nos fazendo pensar que em algum lugar próximo está havendo derrubada de madeira, orações e cânticos, além da ladainha do Sairé em 23 minutos ininterruptos dão a entender que “A natureza reza, reza, reza…”  

4 – Lanças (obra da frente da igreja)

Em tempos remotos a igreja de Nossa Senhora da Saúde foi irradiadora do Sairé. A festa tinha como objetivo cristianizar o povo indígena da vila o que conferiu seu sentido prioritariamente religioso, mas esse processo não foi de todo pacífico. A presença de nove lanças de madeira com 2,5 metros de altura conferem poder e uma atmosfera de fortaleza e ao imponente templo de arquitetura portuguesa do final do século XIX, marco do domínio católico sobre as práticas culturais do povo borari ao longo de três séculos.

(Fotos e textos do artista)