Catálogos Arte Pará 2010 – Salão e Artista Homenageado

“Cântico Guarani” de Armando Queiroz, artista homenageado. Foto Everton Ballardin
Catálogo do Salão

Catálogo Armando Queiroz – Artista Homenageado

A terra treme; Treme Terra

“Artistas são os melhores sismógrafos sociais… [eles]
trabalham por conta própria. Lidando com [suas] tentativas de
fazer um mundo para sobreviver…e viver [suas] obsessões.”
Harold Szeemann’s

O século XX criou um fluxo de informações jamais experimentado anteriormente na cultura ocidental. De viajantes sonhadores em busca de novas descobertas às crises estruturais que abalaram o mundo, conhecimentos, bens de consumo, pessoas circulam pelo globo estabelecendo novos contatos, influências e miscigenações. Os centros de atenção vão mudando na velocidade das transformações sócio-culturais, concebendo novas lógicas para o capital.

Há uma polifonia de centros e faz-se necessário navegar pelas bordas. E a arte tem sido catalisadora dessas reverberações, refletindo transformações que ocorrem nas organizações sociais e no planeta, viabilizando amplificações dessas modificações no território da cultura, movimentando setores distintos da sociedade.
A oscilação está na vida, está no mundo – das placas tectônicas, que nos lembram que a terra está em movimento contínuo, aos lugares das trocas sociais, que são reinventados a cada segundo -, com o afluxo de dinâmicas relacionais que favorecem a invenção de outros espaços de contato, provocando mudanças, com novas regras de civilidade, em processos de realocação social.
Em meio a conquistas diversas, no espaço da arte a autonomia em relação ao lugar é um dos grandes avanços daquele século. A arte transforma os espaços, vai de encontro à natureza, subverte o cubo branco, constitui territórios particulares, específicos para existir no mundo. Por meio da arte temos a possibilidade de estabelecer mediação com o outro, conceber pontos de contato, de contágio, de troca, propiciando ricas experiências que reinventam relações e ultrapassam o espaço instituído, ganhando a rua para viabilizar a existência de ambientes transitórios, autônomos, de liberdade e potência.
São nesses lugares que queremos pensar, lugares em que essas relações se dão, ambientes em que nossas trocas são construídas, referências acionadas: espaço aberto, terreiro social, campo de relação em que nossos tambores tecnotrônicos são ativados, o contato estabelecido, em que o contágio, a miscigenação cultural se dá, porque na arte construímos espaços de liberdade, somos antropófagos e a terra, treme.

Orlando Maneschy
Curador do 29° Arte Pará

Arte Pará 2010 – Premiados

Premiação 29ª Arte Pará

Grande Prêmio

Rodrigo Freitas , conjunto da obra , pintura , “Paisagens de Inverno”, “Variações sobre o mesmo abandono” e s/ titulo, Belo Horizonte(MG)

Segundo Grande Prêmio

Renato Chalú Pacheco, instalação “Mata-ver-o-peso-esquema” , Belém (PA)

Terceiro Grande Prêmio

Rodrigo Cass, objeto, “Meditação Sobre um Tridimensional Iluminado” , São Paulo (SP)

Prêmios Aquisição:

Andréa Facchini, desenho , “Entre o Azul e o Céu (sobre-viventes)”, “Onde você sempre quis estar” da Série Ficções e “Sem linha do horizonte, sem ponto de fuga” da Série Ficções, Rio de Janeiro (RJ)

Cleantho Viana , vídeo – performance “O artista, chapeuzinho e o pônei”, Rio de Janeiro (RJ)

Maria Matos, vídeo “Entrando sem bater”, Rio de Janeiro (RJ)

Murilo Rodrigues, vídeo “Black Bird II” , Belém (PA)

Vitor de La Rocque, instalação “O ovo e a galinha”, Belém ( PA)

Comentários: gostei muito do Juri de Premiação ter escolhido a série de pinturas de Rodrigo Freitas como o Grande Prêmio. Vídeos, performances e instalações têm dominado a premiação nos últimos salões e a pintura mostrou seu poder. Duas instalações ganharam o segundo e terceiros grandes prêmios, a proposta de instalçãoa em local específico de Renato Chalú no Ver-o-peso, que achei bem lugar comum, e os relógios de Rodrigo Cass no MHEP, bem instigante e dinâmica. Senti muita falta neste salão de nomes como Marinaldo Santos, Jocatos, Nina Matos, Dina Oliveira, Armando Sobral, Nio Dias, Eliene Tenório, e outros grandes nomes das artes aqui no Pará, podiam entrar como convidados tranquilamente no meio de um monte de besteiras selecionadas como a obra do rapaz que veio pra ficar por Belém, numa espécie de performance cara-de-pau, que achei um insulto. O Ovo e a Galinha de Vitor de La Roque foi outra decepção, o Gallu Sapiens era chocante e polêmico, já a chocadeira deste salão, onde nasce literalmente um pinto, é uma variante sem nenhuma força do mesmo tema.