Catálogo do II Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia

Ao pensar sobre o urbanismo-utopia, Argan coloca o problema do urbanismo-ideologia. Para ele, é necessário que o urbanismo de fato possa ser recolocado como um guia das atividades que regem o mundo cultural. O impasse, em linhas gerais,encontra-se entre a cidade moderna em estado avançado de decomposição, após sua utopia industrial, e as novas qualidades de reinvenção dos espaços urbanos como paisagem cultural dominada pelo saber visual e tecnológico. Argan vislumbra a restituição do indivíduo na ampliação da disciplina do urbanismo e declara o artista parte integrante de uma retomada necessária. Ele ressalta acidade constituída de coisas como imagens que se dão à nossa percepção e que nos fazem “viver na dimensão livre e mutável das imagens”. O artista, para Argan, decididamente faz urbanismo quando suas pesquisas visuais podem e deveriam ser pensadas como pesquisas artísticas. Neste sentido, tomamos Argan e Lynch – apesar de certas oposições – como referência para considerar que o fotógrafo é um artista frente à cidade real e à cidade ideal, um habitante capaz de dar forma e sentido ao espaço urbano e recriar suas imagens como lugar de ficção e  realidade. Convidados a tomar a cidade como matéria os artistas que constituem a mostra Crônicas Urbanas recriaram-na especialmente como uma trama narrativa feito o traçado urbano de uma cidade imaginária e real.

Trecho da apresentação de Mariano Klautau Filho para o Catálogo.