PCULT – Pesquisa do Investimento dos Governos Estaduais e do Distrito Federal na Atividade Cultural

Veja aqui a pesquisa completa:

O Partido da Cultura, movimento suprapartidário (partido vem de “tomar partido”) está lançando uma pesquisa completa de suas ações desde seu surgimento. O conceito do Partido da Cultura, veio sendo construído coletiva e solidariamente por meio da internet, com o objetivo de expor problemas e sugerir soluções que sejam operadas a partir de decisões políticas e institucionais de partidos políticos, candidatos a cargo eletivo e ocupantes de cargos públicos. O movimento acompanha o debate de centralidade da cultura na agenda nacional tal qual os batidos verbetes saúde, segurança, educação.

Aglutinando diversas entidades, redes, movimentos e pessoas de todos os estados do país em torno de temas diversos, sempre na esfera cultural, o PCult iniciou uma série de estudos e pesquisas para medir, comparar e dar transparência ao investimento feito na função Cultura nos orçamentos dos governos dos estados brasileiros e do Distrito Federal.

A pesquisa se propõe a indicar o grau de relevância do setor cultural para os poderes públicos estaduais a partir de sua dotação orçamentária, fortalecendo o discurso do segmento e prestando um serviço público para a sociedade em geral, uma vez que esses números não são facilmente encontrados.

Nessa primeira fase, pesquisadores do PCult focaram nos elementos quantitativos, medindo e comparando valores e percentuais do investimento anual total e aquele investido na função cultura. A segunda fase se propõe ao método qualitativo, indicando como esses recursos são investidos em cada estado.

Pesquisa – O grupo, formado por 4 pesquisadores representantes dos empreendimentos culturais, trabalhou sobre dados secundários produzidos e publicados pelas Secretarias de Fazenda (ou Finanças) dos governos estaduais e do Distrito Federal nas suas páginas na internet, em atendimento á Lei de Responsabilidade Fiscal, que obriga a publicação bimestral dos RREO – Relatórios Resumidos de Execução Orçamentária (RREO).

A pesquisa está mapeada em tabelas e gráficos. O primeiro bloco é composto de 04 gráficos que referem-se ao ranking anual de investimentos estaduais na área cultural, em R$, para os anos de 2007, 2008, 2009 e primeiro semestre de 2010. Em todos os anos o ranking é liderado pelo estado de São Paulo,sempre com uma representação em torno dos 35% dos investimentos totais em cultura no país, um total de R$434,7 milhões. Estados como Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais, também estão sempre entre os cinco primeiros dos rankings.

O mais impressionante é a Amazônia estar sempre entre os seis primeiros estados que mais investem na cultura, à frente de estados economicamente mais fortes como os da Região Sul. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul aparecem apenas em posições intermediárias do ranking. As posições finais no ranking são ocupadas por estados das regiões Nordeste e Norte.

O segundo bloco é composto de 05 gráficos que referem-se ao ranking anual de investimentos estaduais na área cultural, por região. Na região Centro-Oeste o Distrito Federal está em primeiro em todos os anos. Goiás e Mato-Grosso equilibrados no meio e Mato Grosso do sul teve a pior colocação em todos os anos.

Na região Nordeste a Bahia está disparado na frente dos demais, com a média de 75,64% a frente dos segundos colocados, Maranhão e Pernambuco, em todos os anos. Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte estão nas últimas colocações.

Na região Norte, a Amazônia e o Pará estão iguais na conquista de primeiro e segundo lugares. O Acre também se destaca mantendo a terceira posição. Roraima, Rondônia e Amapá apresentam os piores investimentos na cultura da região.

Na região sudeste, São Paulo e Rio de janeiro encabeçam o ranking. Minas gerais emplaca o segundo lugar, ultrapassando o Rio em 2007 e Espírito Santo se mantém nas piores colocações em todos os anos. Na região Sul o Paraná lidera em 75% dos anos, perdendo somente em 2007 pra Santa Catarina. Rio Grande do Sul é o último do ranking.

A pesquisa traz ainda mais três blocos, referentes: ao percentual de que cada estado investe do seu orçamento total no setor da cultura (Amazonas é o 1º); Ao crescimento anual composto, entre os anos de 2007 e 2009, do investimento em cultura por estado, tanto em valor total em R$, quanto o percentual do orçamento que é revertido pra cultura (Rondônia é o 1º); e aos investimentos per capita em cultura de cada estado, para os anos de 2007, 2008 e 2009 (Os estados da região norte Acre, Amazônia e Roraima aparecem em todos os anos ocupando as primeiras posições. Em 2009, o Distrito Federal é o líder).

A pesquisa sobre os investimentos na cultura praticadas pelos poderes públicos estaduais do Brasil nos dá uma dimensão clara do quanto ainda temos que avançar na política pública cultural do país.

Histórico PCULT

Fonte: Blog do Pcult

Exposição “Kayapó” no Museu Paraense Emílio Goeldi

Convite da Exposição

A Exposição “Kayapó, Mebêngôkre nhõ pyka” abre as portas da aldeia ao povo não indígena com o objetivo de promover a cultura do povo Kayapó, conservar a biodiversidade do mundo, por meio dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas, e orientar a sociedade a ter um outro olhar sobre essa manifestação cultural.

A inauguração aconteceu na última sexta-feira (16), por meio de uma parceria científica entre o Instituto Francês de Desenvolvimento para a Pesquisa (IRD) e o Museu Goeldi, e contou a participação de representantes das duas instituições, do povo Kayapó e da Aliança Francesa do Governo do Estado do Pará.

O início das atividades de abertura da Exposição foi marcado por danças e cantos, e menção a história do povo indígena e a sua importância social, identificando também as semelhanças entre esse povo e os “não indígenas.

Após o início das atividades de abertura, o representante do povo Kayapó, complementou o seu discurso, apresentado ao público na língua indígena e traduzido por outro indígena aos presentes, dizendo, “hoje é dia de festa, aqui e na Aldeia”. Foi esse sentimento que marcou a inauguração da Exposição, o indígena complementou, “celebrações como essas não podem ser só no Dia do Índio, e sim todos os dias”.

Ao passar pela exposição o visitante é convidado a conhecer a cultura Kayapó e visualizar os instrumentos de caça e de pesca, os utensílios de beleza, tais como cocares, braceletes e outros adornos, as pinturas, as fotografias e os vídeos de rituais religiosos.

Quando tudo começou – A idéia da exposição Kayapó, Mebêngôkre nhõ pyka realizada pelo Museu Goeldi em comemoração a Semana dos Povos Indígenas 2010, nasceu há sete anos, quando o cacique Kaikuare da aldeia de Moikarakô contava sobre a sua preocupação em mostrar à população que muitas vezes o que sai nos jornais ou livros sobre eles não têm ligação com a realidade da aldeia, notou-se que era hora de levar ao conhecimento de todos um relato contado pelos Kayapós. A exposição é um dos vários resultados da colaboração e cooperação entre indígenas, pesquisadores, o IRD e o Museu Goeldi, que lançaram uma primeira versão do trabalho no Museu Histórico Estado Pará (MHEP) em 2009 durante o Ano da França no Brasil.

Outro ponto de vista – A pesquisadora do Museu Goeldi e uma das curadoras da Exposição, Cláudia Lopez, também lembra da importância da existência do povo e da sua contribuição para diversidade cultural, dizendo que “existem várias formas de entender o mundo”. E essa diferente forma de ver e entender a vida é que a exposição se propõe a mostrar, assim como a busca do povo Kayapó em se afirmar como povo.

Informar ao público da importância dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas para a conservação da biodiversidade do planeta, orientar um outro olhar sobre esses povos indígenas também são apontados pelas curadoras como objetivos da Exposição.

De nós, sobre nós – As peças expostas mostram a vida cotidiana e tempos de festas dos povos, e quase todos os objetos foram escolhidos pelos Kayapó. A ideia é mostrar os aspectos mais importantes da cultura deles, tais como a cosmologia, a agricultura entre outras práticas.

“Além de ser uma forma didática de divulgar resultados de pesquisa para o público em geral, espera-se que a exposição aproxime o público da cultura Kayapó. Nosso objetivo é trabalhar no sentido de quebrar preconceitos, valorizar a diversidade cultural e apoiar os indígenas no seu objetivo de falar sobre eles”, é o que pretendem as curadoras Claudia Lopez e Pascale de Robert, do IRD.

Escolas na Exposição : a Exposição “Kayapó, Mebêngôkre nhõ pyka” também será aberta ao público jovem, por meio de visitas orientadas das escolas de ensino fundamental e médio,. promovidas pelo Núcleo de Visitas Orientadas ao Parque Zoobotânico do Museu Goeldi (Nuvop).

Os alunos serão acompanhados por monitores do Núcleo, que receberão instruções diretamente da curadora Pascale de Robert, e lhes apresentarão de forma didática a exposição.

As visitas serão marcadas para as terças e quintas-feiras até o encerramento da Exposição, que acontece em agosto. Para mais informações entrar em contato com o Nuvop pelo telefone: (91) 3259-6588

Serviço: A exposição pode ser visitada até dia 29 de agosto, nos horários de 9h às 17h durante a semana e, nos fins de semana, das 9h às 15h, no Prédio da Rocinha – Parque Zoobotânico do Museu Goeldi.

Texto: Vanessa Brasil e Anna Elisa Pedreira (Agência Museu Goeldi)