Museu de Arte Sacra do Pará

O Museu de Arte Sacra (MAS), localizado no Antigo Palácio Episcopal, foi inaugurado em 28 de setembro de 1998. Integrada ao Museu está a Igreja de Santo Alexandre (originalmente Igreja de São Francisco Xavier), construída pelos padres jesuítas com participação do trabalho indígena entre o fim do século XVII e início do século XVIII. Dentre as várias modificações arquitetônicas e decorativas que sofreu, a Igreja herdou como estilo predominante o barroco e foi inaugurada em 21 de março de 1719. Com mais de 400 peças, o acervo do Museu é composto de imagens e objetos sacros dos séculos XVIII ao XX. As coleções, a princípio constituídas pelas peças da própria Igreja de Santo Alexandre, foram depois enriquecidas com peças provenientes de outras igrejas do Pará e de coleções particulares.

                              

Do antigo Colégio Jesuítico a sede do Museu

 Ao chegarem ao Pará, os jesuítas estabeleceram-se primeiramente em terreno cedido pela Ordem das Mercês, no bairro da Campina, no qual construíram residência e pequena capela, ambas cobertas de palha. Em razão da precariedade daquele terreno, transferiram-se no mesmo ano para área vizinha ao Forte do Presépio, iniciando a construção do Colégio, sob a invocação de Santo Alexandre, e da Igreja de São Francisco Xavier.  Com a definitiva expulsão dos jesuítas por ordem de Marquês de Pombal, em 1759, o Colégio foi utilizado como residência dos Bispos e Seminário Episcopal por longo tempo. 

 Atualmente o prédio expõe em seu pavimento superior o acervo de telas, imaginária sacra e objetos litúrgicos. Na sala inicial, juntamente com a exposição da Pietá, consta um breve histórico das Ordens Religiosas presentes em Belém. Nos demais ambientes destacam-se a tela Santa Ceia, óleo sobre madeira, provavelmente do final do século XVIII (corredor); a imagem de Santa Quitéria (sala à direita) e ainda diversas representações de Cristo. A grande coleção de imaginária sacra ainda permite leituras iconográficas de santos como São José de Botas e Nossa Senhora do Leite (sala à esquerda). Ao final do corredor, integrando o acervo de objetos sacros do MAS, estão expostos um oratório, lanternas e crucifixos. A sala da prataria, com peças de predominância portuguesa, destaca-se sob a luz tênue, pensada para destacar os detalhes das peças, de acordo com a proposta museográfica.

 A Igreja de Santo Alexandre

Inicialmente erigida sob o orago de São Francisco Xavier, a Igreja foi construída pelos padres jesuítas entre os séculos XVII e XVIII.  Apresenta nave única em forma de cruz latina, na qual se encontra o retábulo da capela-mor; dois púlpitos, no estilo “D. João V”; e seis capelas laterais com diversos elementos decorativos. A sacristia, situada no braço esquerdo da nave, é ornada com retábulo dourado e trabalhada pintura no forro, além de apresentar um grande arcaz do século XVIII. No coro, onde também está exposta a imaginária sacra, se tem uma ampla visão da nave da Igreja. Próximo às tribunas, as imagens de roca, utilizadas em procissões e fabricadas no século XIX, ganham destaque juntamente com anjos adoradores produzidos nas oficinas jesuíticas.

 Projeto Museológico

 O projeto museológico partiu do estudo de três temas principais: o mapeamento histórico das Ordens religiosas presentes no Pará, enfocando algumas igrejas construídas em Belém; a Igreja de Santo Alexandre, sua articulação com o complexo museal e com o contexto histórico e religioso; e a iconografia dos santos. O projeto foi desenvolvido por especialistas de diversas áreas, sempre atentos aos procedimentos de conservação preventiva adequados à realidade local. A iluminação do museu ganhou destaque no projeto museográfico ao primar pelo controle de incidência de luz sobre o acervo exposto.

Diretora

Zenaide Paiva

Fonte: Folder do Museu

Comentários: o Museu de Arte Sacra é parte integrante do Sistema Integrado de Museus e Memoriais da SECULT/PA, e compartilha a equipe técnica (montagem, educativo, conservação/salvaguarda) com todos os outros museus do SIM. Possui uma das melhores galerias da cidade para exposições fotográficas, a Galeria Fidanza. É talvez um dos poucos museus sustentáveis aqui em Belém pois além do grande fluxo de visitação, também aluga a igreja para casamentos e outros eventos. Existe um charmoso e confortável café em seu piso térreo, climatizado e com ótimos petiscos. Possui um pequeno auditório para cerca de 40 lugares.

4° Fórum Nacional de Museus – Parte II

O Pará no 4° Fórum Nacional de Museus.

Dentro das Comunicações Coordenadas: Apresentações Orais, da programação do  4° Fórum Nacional de Museus, foram selecionados os trabalhos Museu Goeldi e a Memória do Bairro de Terra Firme, Belém – PA de Helena Quadros e Quando o Marajó é museu: O percurso museológico de Padre Giovani Gallo de Lucia das Graças Santana da Silva.

Sobre o trabalho de Helena Quadros pesquisei a autora e o projeto em questão.

Helena do Socorro Alves Quadros, pedagoga, especialista em Ação Educativa e Cultural em Museus. Especialista em Educação Ambiental. Mestre em Educação. É tecnologista sênior do Serviço de Educação e Extensão Cultural (SEC) da Coordenação de Muselogia e coordena diversos projetos relacionados à educação ambiental no Goeldi. Além disso, é representante titular do Museu Goeldi na CIEA, Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental do Estado do Pará. Ganhou um prêmio 2006 do Botanic Gardens Conservation International (BGCI), por meio do programa Investing in Nature – Brasil, a premiação visou financiar os melhores projetos de jardins botânicos brasileiros destinados à conscientização pública sobre conservação de plantas.

Sobre o projeto do Museu Goeldi na Terra Firme econtrei a seguinte descrição:

Um pouco da história – Nos últimos 25 anos, muito foi alcançado pelo projeto que, de início, era uma política de “boa vizinhança”, mas hoje já ganha outras dimensões. A coordenadora do Nuvop e também organizadora da Mostra, lembra de quando o trabalho começou e como as coisas mudaram.

“As pessoas do bairro não conheciam o Museu como instituição de pesquisa, e nem sabiam que poderiam visitar o Parque Zoobotânico (PZB), porque era coisa de “doutor”, relata. Isso começou a mudar quando, em 1985, se abriu a possibilidade dessa comunidade vir ao Parque sem pagar por meio da concessão de ingressos aos centros comunitários do bairro. Com isso, “eles não só passaram a vir ao PZB, como começaram a compreender o Museu como um todo e se interessar pelo projeto”, observa Helena.

Um resultado dessa aproximação entre o Museu Goeldi e a comunidade da Terra Firme é a participação dos seus moradores nas atividades do Museu Goeldi. Hoje, a instituição recebe tanto monitores ambientais, que trabalham no Parque com o Nuvop, como bolsistas que realizam pesquisa sob a orientação de pesquisadores. “A comunidade já encaminha essas pessoas para o Museu, e já é uma forma de dar continuidade ao projeto, que vai precisar desses jovens no futuro”, conta a coordenadora.

Fonte: Museu em pauta/ Goeldi

A Coordenadora apresentando o projeto para representante do IBRAM.

Para o  trabalho de Lucia das Graças Santana da Silva sobre o Museu do Marajó não encontrei nada específico. Porém conhecendo a trajetória desbravadora de Giovanne Gallo em fundar um Museu dinâmico e interativo, que trabalha com a comunidade, o trabalho a ser apresentado deve ser bem interessante.

Fonte: Overmundo

Para apresentações de Posters foram 03 trabalhos selecionados do estado do Pará, no total foram 35, durante o 4° Fórum Nacional de Museus.

O passado é intocável, o futuro é intacto: Imagens de Cidadania – Idanise Sant’ana Azevedo Hamoy

Memória Social e Processo de Musealização em Santa Bárbara do Pará – Maria do Socorro Reis Lima

Projeto Pontearte: Uma ponte entre o MABE e seu entorno – Moema de Bacelar Alves

Idanise Hamoy é professora da Faculdade de Artes Visuais e Museologia da UFPA.

Maria do Socorro Reis tem um blog onde encontrei o seguinte texto biográfico:

Graduei-me em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará. Concomitante, fui bolsista do CNPQ/ Museu Emílio Goeldi tendo formado uma coleção de cerâmica comercializada no Museu Vivo o Mercado do Ver o Peso (Belém-PA). Realizei o mestrado em Antropologia Social na Universidade de São Paulo estudando as coleções etnográficas Jê-Timbira do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP e do Museu Goeldi, com levantamentos destas coleções em outros museus brasileiros como o museu Nacional. Atualmente sou professora efetiva da UFPA no Instituto de Ciências da Arte, nos cursos de Artes Visuais e no curso de museologia recém-criado.

Moema de Bacelar Alves é Coordenadora da Divisão de Ação Educativa do MABE. Historiadora e Pesquisadora. Sobre o projeto Pontearte:

A partir de uma parceria do Museu de Arte de Belém (MABE) com a Associação Cidade Velha Cidade Viva (CiVViva), foi criado em 2008 o Projeto Pontearte, visando desenvolver atividades com as crianças do Beco do Carmo, tendo como referência o espaço e acervo do MABE.

O projeto visa, entre outros, reconhecer e valorizar a identidade de cada criança, trabalhar o seu convívio tanto em família, quanto com a sociedade em geral, despertar nas crianças o sentido de pertencimento ao bairro em que moram – Cidade Velha –, bem como a valorização de seu patrimônio cultural, além de estimular a produção e conhecimento das diferentes técnicas artísticas.

O Projeto Pontearte conta, neste ano de 2010, com aproximadamente 30 (trinta) crianças e adolescentes entre 05 (cinco) e 11 (onze) anos que realizam atividades sócio-educativas toda terça-feira. As atividades são realizadas em dois turnos, atendendo àqueles que estudam tanto de manhã, quanto à tarde. Pela manhã de 9:00 às 12:00h e de tarde de 15:30 às 18:00h.

OBS: DEVIDO ÀS OBRAS DO PALÁCIO ANTÔNIO LEMOS, O PROJETO ESTÁ ACONTECENDO NO ESPAÇO DO FÓRUM LANDI, NA PRAÇA DO CARMO.


APOIO

AMABE
FÓRUM LANDI

Fonte: Blog do MABE