“Platôs” de Flamínio Jallageas (SP) – Prêmio no I Salão Xumucuís de Arte Digital / 2011

Platôs

ano: 2009  série: mudanças  duração: 11’40’’  trilha sonora cortesia: Yasek Manzano   título: “Amnios”

prêmios: 5ª mostra FASM/Vídeobrasil e 1º Salão Xumucuís de arte digital.

Gravado parte em São Paulo, parte em Havana, Platôs é um vídeo construído pela sobreposição de duas salas. Na primeira delas, situada em São Paulo, vemos alguns móveis, alguns objetos e uma mesa montada com os elementos de um café da manhã. Na edição deste material, a percepção de desenvolvimento do vídeo acontece pelo apagamento de todos os objetos até o ponto em que o espaço se apresenta vazio.  Na segunda sala, agora em Havana, vemos duas portas, uma parede vazia e a ação, que ocorre em torno de um minuto, consiste numa copeira que coloca uma mesa de café da manhã localizada fora do quadro. Sobre este espaço, projeta-se o primeiro vídeo já editado que é, então, novamente captado na forma que será a sua condição final.

De uma maneira condensada, temos aqui a sobreposição de inúmeras camadas. Por meio dos objetos e da arquitetura, temos os dados culturais e espaciais que, literalmente, se sobrepõem. Sobre o tempo, somos impelidos a crer que se trata de uma outra época, pois grande parte dos objetos faz menção aos anos 60 e 70 e, apesar de estarem no Brasil, poderiam compor uma casa Cubana já que, desde a revolução que levou Fidel Castro ao poder, a obsolescência e substituição dos objetos, típica da prática capitalista, não faz parte do costume e das possibilidades econômicas do país. Por último, para a obtenção do resultado desejado, a própria técnica de construção gráfica do vídeo se dá através da colagem de imagens fixas e em movimento que se sobrepõem em camadas no software de composição e efeitos especiais em vídeo.

Flamínio Jallageas

I Salão Xumucuís de Arte Digital – Artistas Premiados

Cinco artistas premiados, entre eles um paraense, duas menções honrosas e mais 28 obras selecionadas. Este é o saldo do 1º Salão Xumucuís de Arte Digital do Pará, que não limitou técnica ou formato. Foram mais de 200 inscrições vindas de todas as regiões do país, mostrando a força que o salão teve nesta sua primeira edição.  O júri foi formado por artistas paraenses que já atuam nesta área da arte digital ou que já tem a experiência da curadoria e de participação em diversos outros júris de salões de arte, como Orlando Maneschy, que é mestre em Semiótica. Além dele, a artista visual Roberta Carvalho e a fotógrafa Flavya Mutran, que vem trabalhando e pesquisando o ambiente da arte na web e suas inúmeras inter relações.

Em dois dias de reunião, 05 e 06 de agosto, foram selecionados para premiação, os artistas:

Flamínio Jallageas (SP), vídeo instalação Platôs (2009);

Grupo Hyenas (RJ), video instalação “A Borboleta e o Tigre” (2011);

Míriam Duarte (MG/SP), vídeo-instalação“Refletir” (2011);

Ricardo O’Nascimento (RJ), com o vídeo-arte “AUTRMX” (2008 );

e Victor De La Rocque (PA), “Not Found” (2011).

Para Flávia, o salão teve êxito pois conseguiu, já em sua primeira edição, ao receber inscrições em todas as categorias que foram listadas no edital, como a Gravura Digital, o Vídeo Arte, a Web Arte, o Vídeo Instalação entre outras, mas não só isso. “ O salão foi feliz não só por ter recebido inscrições de obras que se destacam por sua qualidade, mas também por virem de artistas que já estão há mais tempo nesta cena, participando de outros grandes salões, como a Bienal do Mercosul, por exemplo, e que acreditaram  neste projeto. Isso é muito bom”, avalia. A fotógrafa diz que o salão também tem um caráter inédito, com inscrições realizadas inteiramente on line. “Esta é uma proposta inovadora para a cidade, traz um risco novo e a reposta a forma com que realizou as inscrições foi muito boa”, comenta Flávia.

 

Vídeo-instalação “Refletir”, de Miriam Duarte, premiado no Salão.

Embora a arte digital não seja exatamente uma novidade na cena de salões, mostras e exposições em Belém, é a primeira vez que este tipo de arte poderá ser visualizada em um só espaço, abrindo uma margem de discussão mais direcionada e densa sobre a arte feita sobre a plataforma computacional. “Por mais que as temáticas não sejam novas, no sentido de trazer questões que não estavam antes na arte ou em outros suportes como fotografia, o vídeo e a performance, o salão inova ao reunir estes tipos de trabalho e estes artistas em um só espaço”, afirma a fotógrafa.

Ramiro Quaresma, Roberta Carvalho, Orlando Maneschy e Flavya Mutran.

Para Roberta Carvalho, o salão chegou em tempo, pois assim como em outras capitais, Belém já se alinha nesta linguagem há algum tempo.“Recebemos trabalhos estão com muita qualidade e foi muito prazeroso selecionar este grupo. É tudo muito múltiplo, trazendo ao público as várias maneiras de se trabalhar a linguagem digital. Temos gravura, vídeo-arte, vídeo instalação. São trabalhos muito fortes, alguns mostrando as experiências do digital, onde se trabalha com softwares, mas com rebuscamento”, diz Roberta. Quanto aos premiados ela diz que todos são ótimos trabalhos, que unem a importância da linguagem e a sua força poética. “Não houve muita dificuldade em chegar a um consenso para definirmos o grupo dos cinco”, conclui Roberta.

Há tempo aguardando pela realização de um salão desses na cena artística de Belém, o professor em Semiótica comemora. “Participar deste júri do primeiro salão de arte digital é uma grande felicidade porque há tempos eu queria ver esta cena acontecendo e apesar do desinteresse, de alguns artistas locais, as coisas ficavam engatadas, mas com este projeto, consigo ver uma cena se solidificando, porque tem artista de vários estados do país e que trazem inscrições de diferentes trabalhos,  desde arte interativa”, diz Maneschy.

O 1º Salão Xumucuís de Arte Digital de Belém foi criado a partir do blog Xumucuís, com curadoria de Ramiro Quaresma e coordenação geral de Deyse Ane Ribeiro Marinho. Para Maneschy este fato já tona o evento de uma particularidade indescritível. “O espaço que começa na internet , segue para um projeto maior de arte e físico na verdade você tem o plano da internet , mas trazer pra dentro da Casa das Onze Janelas, espaço da arte contemporânea em Belém, é muito diferenciado e especial”, conclui.

O 1º Salão Xumucuís de Arte Digital, que ganhou o patrocínio da Oi Futuro, por meio da Lei Semear, do Governo do Estado, será aberto ao público no dia 18 de agosto, na Sala Valdir Sarubbi, da Casa das Onze Janelas. Para mais informações e ver a lista completa dos artistas selecionados, acesse: https://xumucuis.wordpress.com/. Mais informações: 91 8239.2476.