Catálogo do I Salão Xumucuís de Arte Digital

 

Idealização

Deyse Marinho / Ramiro Quaresma

 

Curador

Ramiro Quaresma

 

Juri de Seleção

Orlando Maneschy

Flavya Mutran

Roberta Carvalho

 

Projeto Expográfico

Rosângela Britto

 

Identidade Visual da Exposição e Catálogo

Ramiro Quaresma

 

Artistas Premiados

Flamínio Jallageas (SP)

Grupo Hyenas (RJ)

Míriam Duarte (MG/SP)

Ricardo O’Nascimento (RJ)

Victor De La Rocque (PA)

 

Artistas Selecionados

Aieda Freitas(SP)

Diego Mac (RS)

Mirian Duarte (SP)

Grupo TELEKOMMANDO (SP)

Luis Henrique Rodrigues (SP)

Diego de Los Campos (SC)

IO (RS)

Vitor Lima (PA/RJ)

Cibele Fernandes (SP)

Daniel de Nazareth (SP)

Denis Siminovich (RS)

Flamínio Jallagueas (SP)

Nilvana Mujica (MS)

Ricardo Macêdo  (PA)

Ruma (PA)

Valério Silveira(PA)

Victor de La Roque (PA)

Wily Reuter (RJ)

Cesar Garcia (SP)

Hyenas (RJ)

Camila Buzelin (MG)

Lu Magno, Bruno Cantuária Ricardo Macedo (PA)

Dalila Camargo (SP)

Fernando Velasquez (SP)

Ricardo Nascimento (RJ)

João Penoni (RJ)

Junior Suci (SP)

John Fletcher (PA)

 

Artistas Convidados

Armando Queiroz

Keyla Sobral

Lúcia Gomes

Melissa Barbery

Roberta Carvalho

 

TRÊS SÉRIES DE FLAVYA MUTRAN EM EXPOSIÇÃO NA KAMARA KÓ

A fotografia pictórica que versa sobre a lembrança e a identidade. Bem além do retrato, o olhar dispensa a precisão, e opta por formas abstratas, quase oníricas. A nova individual de Flavya Mutran, intitulada “FILE OO”, reúne trabalhos fotográficos inéditos e premiados de três coleções fotográficas distintas produzidas na última década. Em cartaz a partir do dia 9 de março, na Kamara Kó Galeria, a exposição traz obras das séries QUASE MEMÓRIA (2000-2004), THERE’S NO PLACE LIKE 127.0.0.1 (2009-2010) e MAPAS DE RORSCHACH (2011), projetos que dialogam entre si pela pesquisa em torno da transposição de técnicas e suportes da fotografia enquanto possibilidade de investigação de temas ligados à memória, matéria e ficções narrativas.

Partindo do universo íntimo e afetivo, a série QUASE MEMÓRIA marca o início do trabalho de Mutran com as manipulações de imagens preexistentes. As obras misturam chromos 35mm do seu acervo de família e sobras de trabalhos profissionais. Uma ponte entre tempos. “São justaposições de fotos que embaralham épocas e olhares diferentes, expondo a fragilidade da relação entre a matéria e a memória, seja física – corpo, papel, negativo e cópia -, seja virtual  – lembranças, sensações, esquecimentos”, explica a artista. Três obras dessa série integram a coleção PIRELLI/MASP de 2004, e também premiadas no Arte Pará (2002) e no VIII Salão Unama de Pequenos Formatos (2002).

O trabalho THERE’S NO PLACE LIKE 127.0.0.1 aborda outro tipo de relação entre o corpo físico e o virtual, ao explorar os limites da apropriação da imagem privada de anônimos que se tornam públicas uma vez expostas na internet. “A frase que nomeia as imagens desta série representa muito da postura do internauta e sua relação com o lugar. É através do localhost (127.0.0.1), ou IP local dos computadores, que o internauta estabelece uma espécie de lugar utópico, como um intervalo no tempo e no espaço, em que realidade e ficção são projeções invertidas de uma mesma imagem”, explica. A série é composta de fragmentos visuais desses ambientes, em imagens coloridas de grande formato, feitas a partir de projeções para além dos monitores RGB, em superfícies de espelhos, paredes, portas, escadas e páginas de livros. Um novo recorte mostrará trabalhos que não foram exibidos na mostra “Pretérito Imperfeito de Territórios Móveis”, que esteve em cartaz no Espaço Cultural do Banco da Amazônia em novembro de 2011.

Mais recentes, as fotografias da série MAPAS DE RORSCHACH são como cartografias elaboradas a partir de borrões em paredes, muros, pisos e tetos de Porto Alegre, onde mora a artista, que a remetem a lembranças de Belém, sua cidade natal. Inspirado nos estudos do suíço Hermann Rorschach, o trabalho faz uso do milenar hábito humano de projetar aspectos da própria personalidade na leitura de informações visuais aparentemente desconexas. “As imagens dessa série sugerem leituras de superfícies como se fossem mapas para lugares onde (re)encontro rostos que habitam entre essas duas cidades, ou apenas são fantasmas da minha imaginação”, diz Mutran, que expos parte da série no ARTE PARÁ Ano Trinta, em outubro do ano passado. “São vestígios de trajetórias inconclusas que apontam para lugares utópicos, mentais. O rosto, percebido de longe e que se dilui na proximidade do detalhe, se estabelece como um território do afeto, onde a imaginação trafega livre de códigos”.

A exposição integra uma série de cinco mostras previstas para este ano na Kamara Kó Galeria, projeto beneficiado pela Leio Municipal de Incentivo à Cultura e ao Esporte Amador Tó Teixeira e Guilherme Paraense, com patrocínio BLB Eletrônica e apoio cultural da Grand Cru.