Exposição “Mulheres Liquidas” – Galeria Theodoro Braga

Este grupo de mulheres artistas pronuncia por meio da arte a sua absoluta fluidez, incorpora uma mostra coletiva que reúne diversas águas sem a pretensão de inovar, mas assume a mudança de uma forma sólida para uma forma líquida para questionar molduras e posturas opressivas impostas pela sociedade. A mostra coletiva transborda práticas artísticas femininas que se traduzem em concepções de vida de cada artista.

Este trabalho reúne diversas águas de rios, mares, correntezas, chuvas e igarapés, assim como são muitas as fluências das águas sobre a superfície amazônica, eis a poesia evocada por Mulheres Líquidas. Pensar o mundo simbólico feminino como mundo plural em uma exposição e curadoria coletivas, enquanto postura de autonomia criativa e condição de permanência da arte das mulheres em um contexto local. Assim, fotografia, pintura, desenho e gravura compõem a mostra em unidade poética, em homenagem ao livre pensar e ao direito cívico de existir. Portanto almeja trazer à tona a discussão que remonta às ações da presença do pensamento amazônida feminino na arte e da vontade de autonomia produtiva, com a vontade de diluir hierarquias ao inundar os espaços e os corpos com a possibilidade de morte, transformação e regeneração de conceitos, atitudes e posturas inerentes a atual produção artística.

Mulheres Líquidas traz em uma só enxurrada artistas que vieram das cidades de Macapá e Serra do Navio no Amapá, de Urucará no Amazonas e de Belém do Pará. Assim temos a fotógrafa Cinthya Marques com um olhar jovem e refinado sobre a solidão e vulnerabilidade feminina na vida urbana de Belém, enquanto a fotógrafa Renata Aguiar faz uma instalação com fotografias e narrativas de sua parteira que expõem um saber ancestral em vias de se extinguir. Flávia Souza compartilha-nos a sua experiência de mãe e fotógrafa, oferecendo um olhar belo sobre a odisseia de seu filho, Ulisses, contando essa história através de imagens, sendo mãe e filha ao mesmo tempo. A força do protesto contra a violenta construção da usina hidrelétrica de Belo Monte está na fotografia de Lúcia Gomes. Cores maduras e vivas estão presentes nas telas da artista Eliene Tenório ao representarem com formas autônomas a sensualidade e o poder de sedução que as mulheres exercem no seu cotidiano. Glauce Santos nos leva à contracosta do arquipélago Marajoara e retrata essa longa viagem de barco em xilogravuras. Portas se abrem nas obras de Isabela do Lago para sermos recebidos por sacerdotisas da sabedoria tradicional popular, encontradas na encantaria da cabocla paraoara. Fluindo e confluindo, essas águas se encontram, se chocam, formam liquidas suas condições de mulheres.

ARTISTAS

Cinthya Marques  – Eliene Tenório – Flávia Souza – Glauce Santos – Isabela do Lago – Lúcia Gomes – Renata Aguiar

Galeria Theodoro Braga comemora 35 anos com exposição e ciclo de palestras

No mês de junho, a Galeria Theodoro Braga, da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, completa 35 anos de existência no cenário artístico paraense, mesmo mês em que são comemorados os 140 anos de nascimento de seu patrono, o pintor, historiador e professor Theodoro José da Silva Braga. Para celebrar as datas, a equipe da Galeria Theodoro Braga abrirá, na próxima quarta-feira, 13 de junho, às 19h, a exposição “Galeria Theodoro Braga – 35 anos”, na Galeria (subsolo do Centur). A mostra fica aberta até o dia 27 de julho e tem entrada franca. As comemorações ainda terão ciclo de debates com estudiosos sobre a vida e obra de Theodoro Braga.

A exposição “Galeria Theodoro Braga – 35 anos” é de caráter histórico e contém peças do acervo da Fundação Tancredo Neves e do Museu da Imagem e do Som (MIS), além de vídeos e painéis que tratarão de aspectos ligados à história e memória desta sala de exposição.

O principal objetivo da mostra é reunir e apresentar ao público materiais referentes à memória recente da cultura paraense no campo das artes visuais. A exposição será composta por painéis, obras presentes no acervo, materiais impressos (convites, cartazes, periódicos), vídeos-depoimentos e vídeo-arte de alguns artistas que passaram pela GTB entre as décadas de 1980 e 2000.

Como programação paralela, no mês de junho, serão realizadas semanalmente, sempre às 19h, mesas-redondas com a participação de artistas, professores e pesquisadores que estudam a vida e obra de Theodoro Braga. A primeira palestra será “A Galeria Theodoro Braga e a Arte Contemporânea Paraense”, com Armando Queiroz, Ms. Ilton Ribeiro, Prof. Dr. Orlando Maneschy, no dia 14 de junho.

O evento ainda terá os debates “Theodoro Braga – Vida e Obra”, com professor Dr. Edilson Coelho e o Prof. Dr. Aldrin Figueiredo, no dia 20 de junho, e “Galeria Theodoro Braga – 35 anos: História e Memória”, com Emanuel Franco, Fafá Pinheiro, Sérgio Mello e Tadeu Lobato, no dia 26 de junho.

Galeria Theodoro Braga – A Galeria Theodoro foi inaugurada em 15 de março de 1977, instalada originalmente na lateral do Theatro da Paz. Sua criação ocorreu durante o segundo ano de mandato do governador do Estado Aloysio Chaves com a finalidade de atender à demanda dos artistas e do público de artes visuais em Belém.

Após quase uma década de funcionamento no Theatro da Paz, a Galeria Theodoro Braga foi fechada e seu espaço físico utilizado para fins administrativos. Em 27 de junho de 1986 foi criada a Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves e a Galeria reabriu no subsolo do edifício, construído na Gentil Bittencourt, local para onde boa parte do acervo de obras foi transferida à época.

Palco de várias gerações de artistas, a Galeria teve papel fundamental para o desenvolvimento e atualização da produção contemporânea em artes no Pará, atuando como um importante espaço expositivo que interliga Belém à produção contemporânea do Brasil e do mundo. Desde então, muitos artistas locais, nacionais e estrangeiros apresentaram obras na Theodoro Braga e ajudaram a constituir o rico acervo do local ao longo desses 35 anos. Parte deste acervo foi incorporada ao Sistema Integrado de Museus (SIM) no início da década de 2000.

Atualmente, a coleção abriga obras de artistas tais como Antar Rohit, Orlando Maneschy, Eisaburo Mori, Jean Yves Gallard, Armando Queiroz, Paolo Ricci e Walter Firmo, reunidos em um patrimônio de inúmeros objetos, instalações, aquarelas, fotografias, entre outras linguagens da arte contemporânea.

O artista Theodoro Braga – Theodoro José da Silva Braga nasceu em Belém, no dia 08 de junho de 1872 e faleceu em São Paulo, em 1953. Pintor, chargista, educador, historiador, geógrafo e advogado, Theodoro Braga foi aluno da Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) na década de 1890, tendo conquistado, em 1899, o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro, oferecido pela instituição aos seus alunos regularmente inscritos.

Passou a maior parte de sua estada europeia em Paris, onde foi aluno, na Academia Julian, de Jean-Paul Laurens, vinculação que se evidencia no grande interesse de Theodoro pela pintura de temas históricos e literários. É autor da famosa obra “A Fundação da Cidade de Nossa Senhora de Belém do Pará”, integrante do acervo do Museu de Arte de Belém (MABE).

Serviço: As comemorações dos 35 anos da Galeria Theodoro Braga iniciam na próxima quarta-feira, 13 de junho, com o vernissage da mostra “Galeria Theodoro Braga – 35 Anos”, às 19h. Contato: 3202- 4313

Programação paralela (Ciclo de mesas-redondas):

 

Dia 14/06, 19h: “A Galeria Theodoro Braga e a Arte Contemporânea Paraense”, com Armando Queiroz, Ms. Ilton Ribeiro, Prof. Dr. Orlando Maneschy.

Dia 20/06, 19h: “Theodoro Braga – Vida e Obra”, com o Prof. Dr. Aldrin Figueiredo e Prof. Dr. Edilson Coelho.

Dia 26/06, 19h: “Galeria Theodoro Braga – 35 anos: História e Memória”, com Emanuel Franco, Fafá Pinheiro, Sérgio Mello e Tadeu Lobato.