Obra em Questão // o videoarte de Melissa Barbery

Frame do videoarte “Vermelho”

Percorrendo um caminho solitário e úmido um ser, vivo, quase humano, quase verme, vermelho.

Em um dado momento é possível sentir em seu ápice um gozo, um desabafo, um alívio visceral.
Dionísio, Filho de Zeus, deus do vinho e da alegria, uma divindade cujos mistérios inspiraram a adoração ao êxtase e o culto às orgias.
E o que é uma orgia senão as mais infinitas e agitadas tramas de relações que estabelecemos uns com os outros e com o mundo?
A dança dos insetos em sua forma regida e erótica remonta um desejo quase incontrolável, certa incompetência, um rogo pelo gozo inalcançado, bacantes.

Este vídeo trata da memória como algo vulnerável e passageiro, inicia com um texto escrito pela artista e falado pela sua avó em sua língua natal, espanhol, esta narração é seguida de uma performance onde um planta é despetalada exaustivamente.

Videoarte

Definição
O barateamento e a difusão do vídeo no fim da década de 1960 incentivam o uso não-comercial desse meio por artistas do mundo todo, principalmente por aqueles que já experimentavam as imagens fotográficas e fílmicas. O vídeo e a televisão entram com muita força no trabalho artístico, freqüentemente associados a outras mídias e linguagens. O desenvolvimento da arte pop, do minimalismo e da arte conceitual toma a cena dos anos 1960 e 1970, sobretudo nos Estados Unidos. Nesse momento, instalaçõesperformanceshappenings são amplamente realizados, sinalizando as novas orientações da arte: as tentativas de dirigir a criação artística às coisas do mundo, à natureza, à realidade urbana e à tecnologia. Cada vez mais as obras articulam diferentes modalidades de arte como dança, música, pintura, teatro, escultura, literatura, desafiando as classificações habituais, questionando o caráter das representações artísticas e a própria definição de arte.

A introdução do vídeo nesse universo traz novos elementos para o debate sobre o fazer artístico. As imagens projetadas ampliam as possibilidades de pensar a representação, além de transformar as relações da obra de arte com o espaço físico, na esteira das contribuições minimalistas. A videoarte parte da idéia de espaço como campo perceptivo, defendida pelo minimalismo quando enfatiza o ponto de vista do observador como fundamental para a apreensão e produção da obra. Mas, se o trabalho de arte na perspectiva minimalista é definido como o resultado de relações entre espaço, tempo, luz e campo de visão do observador, o uso do vídeo almeja  transformar de modo radical as coordenadas desse campo perceptivo, dando novo sentido ao espaço da galeria e às relações do observador com a obra. Colocado numa posição intermediária entre o espectador do cinema e o da galeria, o observador/espectador da obra é convocado ao movimento e à participação.

Uma nova forma de olhar está implicada nesse processo, distante da ilusão projetada pela tela cinematográfica e da observação da obra tal como costuma ocorrer numa exposição de arte. O campo de visão do espectador é alargado, transitando das imagens em movimento do vídeo ao espaço envolvente da galeria. As cenas, os sons e as cores que os vídeos produzem, menos do que confinados ao monitor, expandem-se sobre e ao redor das paredes da galeria, conferindo ao espaço um sentido de atividade: o olho do espectador mira a tela e além dela, as paredes, relacionando as imagens que o envolvem. Se a videoarte interpela o espaço, visa também alterar as formas de apreensão do tempo na arte. As imagens, em série como num enredo ou projetadas simultaneamente, almejam multiplicar as possibilidades de o trabalho artístico lidar com as coordenadas temporais.

A videoarte deve ser lida na esteira das conquistas minimalistas, mas também da arte pop, pela sua recusa em separar arte e vida por meio da incorporação das histórias em quadrinhos, da publicidade, das imagens televisivas e do cinema. As performances e os happenings largamente realizados pelos artistas ligados ao Fluxus, aparecem diretamente ligados à videoarte. As realizações Fluxus justapõem não apenas objetos, mas também sons, movimentos e luzes num apelo simultâneo aos diversos sentidos: visão, olfato, audição, tato. Nelas, o espectador deve participar dos espetáculos experimentais, em geral, descontínuos, sem foco definido, não-verbais e sem seqüência previamente estabelecida. Ampliando o recuo temporal, é possível localizar ecos dadaístas, sobretudo dos trabalhos tridimensionais de Marcel Duchamp (1887 – 1968) – The Large Glass,1915/1923 e To Be Looked at (From the Other Side of the Glass) with one Eye, Close to, for almost na Hour, conhecido como Small Glass, 1918 – e de seus trabalhos óticos, Rotary Glass Plates (Precision Optics), 1924 e Anemic Cinema, 1926.

Impossível dar conta das inúmeras produções do gênero em todo o mundo e da variedade que marca as obras, definidas como videoinstalação, videoperformance, videoescultura, videopoema, videotexto etc. Em solo norte-americano, centro irradiador dessa modalidade artística, destacam-se os nomes de Vito Acconci (1940) com Undertime, 1973, Air Time, 1973 e Command Performance, 1974, do músico e artista multimídia Nam June Paik (1932 – 2006) com TV Garden, 1974 e Magnet TV, 1965, de Peter Campus (1937) – Shadow Projection, 1974 e Aen, 1977, Joan Jonas (1936) – Funnel, 1974 e Twilight, 1975 e da videoartista Ira Schneider (1939) – Bits, Chuncks & Prices – a  Video Album, 1976. Artistas ligados ao minimalismo, como Robert Morris (1931), fazem proveitoso uso de filmes e vídeos em seus trabalhos – Pharmacy, 1962 e Finch College Project, 1969. Os chamados pós-minimalistas, exploram também as imagens, sobretudo o vídeo: Richard Serra (1939), Keith Sonnier (1941), Bruce Nauman, Robert Smithson (1938 – 1973) entre outros. O nome de Bill Viola (1951) deve ser lembrado como um importante expoente no campo das videoinstalação.

No Brasil, o desenvolvimento da videoarte remete à expansão das pesquisas nas artes plásticas e à utilização cada vez mais freqüente, a partir dos anos 1960, de recursos audiovisuais por artistas como Antonio Dias (1944)Artur Barrio (1945)Iole de Freitas (1945)Lygia Pape (1927 – 2004)Rubens Gerchman (1942 – 2008), Agrippino de Paula,Arthur Omar (1948)Antonio Manuel (1947)Hélio Oiticica (1937-1980). Apesar das controvérsias a respeito das origens da videoarte entre os brasileiros, os estudos costumam apontar Antonio Dias como o primeiro a expor publicamente obras de videoarte – The Illustration of Art – Music Piece, 1971. O uso do vídeo como meio de expressão estética por artistas brasileiros tem como marco a exposição de 1974 realizada na Filadélfia, quando expõem Sônia Andrade, Fernando Cocchiarale, Anna Bella Geiger (1933)Ivens Machado (1942) e Antonio Dias. Na seqüência, outros artistas somam-se à geração primeira: Paulo Herkenhoff, Letícia Parente e Miriam Danowski. Em São Paulo, as experiências com a videoarte aparecem, em 1976 no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC/USP, sob direção de Walter Zanini. Nesse contexto, destacam-se Regina Silveira (1939)Julio Plaza (1938 – 2003)Carmela Gross (1946),Marcello Nitsche (1942), entre outros.

Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais

Trampolim_


TRAMPOLIM _ nasce do desejo de facilitar e impulsionar a produção e projeção da arte da performance na cidade de Vitória, possibilitando a ativação e visibilidade necessárias para o seu desenvolvimento. A plataforma será um espaço de encontro de artistas do Brasil, Argentina, México, Colômbia, Polônia, Espanha, Itália, Bélgica, Venezuela, Israel, Japão, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Coréia do Sul, Escócia, Cuba, Finlândia, Irlanda e Porto Rico, para compartilhar e discutir acerca da bagagem que cada um carrega a partir de suas próprias particularidades, características e possibilidades. TRAMPOLIM _ se pensa então como uma oportunidade para debater as práticas e emergências de cada artista, permitindo uma relação ativa de processos colaborativos e de intercâmbio artístico.

Em 6 edições, realizadas de outubro de 2010 a março de 2011, o TRAMPOLIM _ reunirá mais de 50 artistas numa experiência poética de encontro com a prática da arte da performance e o diálogo entre artistas e público, servindo aos participantes de plataforma para abrir o espectro de ideias e conexões, e ir além dos padrões já existentes de eventos de performance. Durante três dias, mensalmente, esses artistas estarão reunidos nos diversos equipamentos culturais da cidade realizando uma série de atividades como workshops, bate-papos, mostras de vídeo e performances.

O TRAMPOLIM _ é uma iniciativa independente do LAP! _Laboratório de Ação & Performance, com apoio da Secretaria de Estado da Cultura, através do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo e conta com a parceria da Secretaria Municipal de Cultura e da Secretaria de Produção e Difusão Cultural da UFES.

Edições Passadas do Trampolim_

Outubro/2010

Novembro / 2010

Dezembro / 2010

Janeiro/ 2011

Fevereiro / 2011

 

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Trampolim_Vídeos – Curadoria de Orlando Maneschy

Ficha Técnica

Fonte: http://www.plataforma-trampolim.com/